Edge Computing: o que é, onde se aplica e qual a relação com a cloud?

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Já ouviu falar em Edge Computing? Em tradução livre, trata-se da computação de ponta, ou de borda, isto é, um sistema mais próximo que permite às organizações processar um volume maior de dados de modo mais rápido e eficiente. Dentro desse próprio significado, podemos inferir que essa tecnologia está relacionada, de alguma forma, à computação em nuvem.

Mas o que é exatamente o Edge Computing, qual a sua relação com a cloud e que vantagens — e riscos — pode trazer aos negócios? É sobre isso que falaremos neste post. Acompanhe!

O que é Edge Computing?

Para entender o que é Edge Computing, é importante compreender o cenário tecnológico em que nos encontramos. Estamos hoje mais conectados do que nunca. Portamos e operamos dispositivos, móveis ou não, que geram e processam um grande volume de dados. E tudo fica conectado à nuvem, o que permite que as informações estejam sempre acessíveis.

Isso inclui a IoT (Internet das Coisas), que serve como uma ponte para nos conectar aos diversos dispositivos que estão à nossa volta, seja uma lâmpada ou uma televisão. O modelo atual centraliza todo o processamento e armazenamento dos dados na nuvem, de modo que há uma dependência em relação à qualidade e à capacidade da conexão com a rede de dados.

No entanto, o grande aumento de dispositivos conectados leva a uma limitação óbvia e inevitável: o volume de dados só cresce, e os recursos de computação exigidos são cada vez mais pesados. Isso acarreta:

  • altos custos ao negócio;
  • utilização excessiva da rede;
  • alta latência (demora na resposta dos dispositivos);
  • indisponibilidade da rede;
  • redução da confiabilidade dos sistemas.

Assim, já começamos a observar iniciativas de empresas que aproximam os serviços de nuvem ao perímetro da rede, ou seja, para mais próximo dos dispositivos. Dessa forma, os processos de armazenamento e processamento aproximam-se das fontes dos dados, trazendo resultados mais ágeis. Isso é Edge Computing. A ideia é realocar parte do poder computacional do data center para as extremidades (edges) da rede, incluindo pontos próximos aos dispositivos, ou o próprio dispositivo.

Com essa tecnologia, os aparelhos IoT podem transmitir dados para um dispositivo próximo, como um gateway, capaz de compreender e processar as informações e dar respostas rapidamente, reduzindo a necessidade de transferir dados à nuvem para então devolver o resultado ao dispositivo.

Mas como o Edge Computing pode ser aplicado na prática? É o que vamos ver!

Quais são suas principais aplicações?

Para entender como isso pode ser aplicado no âmbito corporativo, dê uma olhada em como a necessidade de maior disponibilidade e agilidade está presente em nosso cotidiano.

Quando usamos um aplicativo para alugar casas, saber como está o clima, fazer agendamentos, pedir táxis, entre outras coisas, ficamos impacientes quando o sistema demora a dar uma resposta ou simplesmente está indisponível. Isso acontece porque o sistema geralmente depende muito do processamento e armazenamento externo, centralizado na nuvem.

Essa demora ou indisponibilidade dentro de uma organização pode impactar na perda de negócios e qualidade operacional. Então, se a empresa implementar uma infraestrutura de edge, por meio de um data center modular local, por exemplo, processos importantes e cargas de trabalho podem ser processados rapidamente, com uma latência quase imperceptível.

Assim, é possível realizar videoconferências de alta qualidade sem prejuízos à experiência de comunicação do usuário. Essa é apenas uma aplicabilidade. Na verdade, o Edge Computing pode assumir uma infinidade de formas. Veja alguns exemplos:

  • dispositivo vestível (wearable) que analisa localmente os dados orgânicos do usuário, como frequência dos batimentos cardíacos ou padrões de sono;
  • dispositivos com a tarefa de detecção biométrica, como reconhecimento de face, processamento de fala e leitura de retina;
  • processamento de imagens, que demanda um grande volume de dados para análise em servidores remotos;
  • sistemas de comandos de voz offline.

Que impactos traz ao negócio?

Um dos grandes ganhos do Edge Computing para o negócio é a não dependência de um data center distante, bastando ao gestor gerenciar a periferia da rede, ou seja, os pontos próximos de processamento e armazenamento. Mas, assim como toda tecnologia em evolução, aqui também é necessário estar atento a alguns riscos que podem impactar negativamente o negócio.

Um deles, e talvez o principal, está relacionado à segurança. Se você traz o armazenamento e o processamento para a borda da rede, distribuindo para diversos pontos, você aumenta substancialmente o tamanho da superfície exposta a ataques. Eles podem se tornar portas de entrada desprotegidas.

Há também a preocupação com o custo da implementação e o gerenciamento das extremidades. Dentro de um ponto de vista escalável, quanto maior a infraestrutura de TI, maiores serão os valores usados para expandir, operar e monitorar. Os custos acabam crescendo proporcionalmente à ampliação do negócio.

No entanto, essa é apenas uma das perspectivas, pois muitos defenderão o Edge Computing como uma solução mais segura, uma vez que os dados não precisam trafegar na nuvem, permanecendo em um ambiente seguro e controlado.

A essa altura, já percebemos mais um ponto de contato entre nuvem e Edge Computing. Mas será que uma tecnologia anula a outra, sendo concorrentes? Não necessariamente. Veja só!

Edge Computing e cloud: qual a relação?

Por conceito, as duas tecnologias são opostas quando se referem ao local de processamento e armazenamento. Ao passo que a nuvem mantém a operação em um data center central, em um servidor remoto, o Edge Computing realoca o processamento nas bordas da rede, ou seja, em pontos próximos aos dispositivos.

Apesar de diferentes, eles não se substituem. Na realidade, são complementares. Por exemplo, regras de análise podem ser criadas em nuvem e, então, ser enviadas para os dispositivos periféricos para um processamento próximo.

Assim, não se trata de uma discussão acerca de que tipo de tecnologia vai dominar nos próximos anos, mas sim sobre o que as empresas têm feito hoje para garantir a qualidade, a segurança e a disponibilidade de serviços e informações com base nos recursos já existentes, como o Edge Computing.

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